Entre o fazer teatral e o espectador existe um elo que nos liga, que persiste, que ao mesmo tempo constrói e reconstrói. Que nos move em torno da vida em sociedade. Esta ligação eu tenho chamado de comunicação, linguagem, afeto, de festa: Quando digo algo e você escuta algo parecido, e cria uma imagem, e diz da imagem que não é o que eu mesma disse. Nesse emaranhado de imagens o teatro tem promovido - acho que desde de sua existência - a possibilidade de criarmos imagens em comum. Ontem ao assistir ao Sarau In-Cena, me vi encontrando imagens de uma mineiridade, que luta, que não se abaixa, que em melodias, e cânticos, e pequenos versos, cria as possibilidades de ser e não das Minas Gerais.
A breve apresentação do grupo reuniu cânticos, versos, melodias, e manifesto de um grupo do interior que reexiste ao tempo. Que no Cenas Curtas, chega na casa de uma das maiores referências do teatro brasileiro e mineiro: O Grupo Galpão. O espectador que assiste a cena, vê não só o Galpão, vê o jeitinho de ser convidado para tomar um café com broa de milho… A desconfiança dos gerais... A matriarca de uma família… Sente a dor dos que não foram escutados e silenciados nos roubos dos minérios das minas... Vê também a irreverência, de um poema que perdura muito mais, que uma pedra no caminho. Neste Sarau, o que vale é a paz da criança dormindo. Viva ao teatro do interior, que reexiste criando política entre nós.
Sarau In-Cena - Foto: Guto Muniz
A Birra do Morto
É uma cena que poderia ser lida como uma esquete de palhaços em um teatro do absurdo. Um morto que se recusa a ser enterrado por ter claustrofobia. O dono da funerária, com uma interpretação “a la francesa”, insiste que suas urnas são as melhores, que há espaço suficiente para o morto repousar em sono eterno ali, mas o cadáver insiste que ali não é seu lugar.
A dramaturgia e a interpretação propõem um tom cômico para um assunto tabu em uma sociedade que vangloria a vida. Deixo aqui provocações sobre esse fragmento: Como usar o cenário para que ele não seja ilustrativo? A proposta deseja verticalizar a conversa com a morte e suas provocações políticas sociais. O tom cômico pode ser trabalhado na luz? Como o texto pode ser ação e reação?
A Birra do Morto - Foto: Guto Muniz
Florido
Uma trupe de artistas mambembe, parece chegar no espaço cênico, que poderia ser o edifício teatral, como também uma praça, ou rua.... Trajados de um figurino singelo e muito bem arrematado. As pessoas atuantes constroem uma pequena cidade no interior de Minas. Ali apresentarão relações de um interior esquecido por um público da capital mineira, resgatando a infância e o lúdico da brincadeira entre crianças, e um boi, florido e serelepe. O ponto central parece a relação entre a amizade do Florido e de seu amigo, que está apaixonado... Por uma menina “mimada”...
É engraçado como escrever sobre uma cena é sempre um desafio, naquele curto espaço de tempo, temos que imaginar o que vem antes do que foi apresentado e como se desdobrará depois do fim do fragmento. “Florido tem essa capacidade, cria em quem assiste um desejo de depois, uma curiosidade de o que está por vir nas aventuras desse boi Florido.
Gostaria de ressaltar o trabalho de corpo das pessoas atuantes que estavam muito presentes na cena. E que em alguns momentos muito breves engoliu-se a voz dos atores principais. Mas que não diminui em nada a potência do trabalho.
Florido - Foto: Guto Muniz
Saci
Imagens escondidas
Recortadas, focadas
Seguradas por uma boca, que pode engolir tudo!
O mistério entre a luz e sombra
O vento que redobra
A imagem que está por traz do vento
A magia de ser e acreditar
Saci é teatro
Saci é dança
Saci brinca
Saci fala
Cuidado Saci!
Saci faz da cena, um mundo reconstruído
Esse velho menino gira e encanta os pés
Saci, eu, você, nós, liberta
Saci, passa daqui para lá, no escuro...
Quem ouve é sujeito de sorte.
Que o teatro seja mais Saci!
Saci - Foto: Guto Muniz
NO CALOR DA NOITE - DIA 04 - 10/09/2026
Por Vina Amorim
Sarau In-Cena
Entre o fazer teatral e o espectador existe um elo que nos liga, que persiste, que ao mesmo tempo constrói e reconstrói. Que nos move em torno da vida em sociedade. Esta ligação eu tenho chamado de comunicação, linguagem, afeto, de festa: Quando digo algo e você escuta algo parecido, e cria uma imagem, e diz da imagem que não é o que eu mesma disse. Nesse emaranhado de imagens o teatro tem promovido - acho que desde de sua existência - a possibilidade de criarmos imagens em comum. Ontem ao assistir ao Sarau In-Cena, me vi encontrando imagens de uma mineiridade, que luta, que não se abaixa, que em melodias, e cânticos, e pequenos versos, cria as possibilidades de ser e não das Minas Gerais.
A breve apresentação do grupo reuniu cânticos, versos, melodias, e manifesto de um grupo do interior que reexiste ao tempo. Que no Cenas Curtas, chega na casa de uma das maiores referências do teatro brasileiro e mineiro: O Grupo Galpão. O espectador que assiste a cena, vê não só o Galpão, vê o jeitinho de ser convidado para tomar um café com broa de milho… A desconfiança dos gerais... A matriarca de uma família… Sente a dor dos que não foram escutados e silenciados nos roubos dos minérios das minas... Vê também a irreverência, de um poema que perdura muito mais, que uma pedra no caminho. Neste Sarau, o que vale é a paz da criança dormindo. Viva ao teatro do interior, que reexiste criando política entre nós.
Sarau In-Cena - Foto: Guto Muniz
A Birra do Morto
É uma cena que poderia ser lida como uma esquete de palhaços em um teatro do absurdo. Um morto que se recusa a ser enterrado por ter claustrofobia. O dono da funerária, com uma interpretação “a la francesa”, insiste que suas urnas são as melhores, que há espaço suficiente para o morto repousar em sono eterno ali, mas o cadáver insiste que ali não é seu lugar.
A dramaturgia e a interpretação propõem um tom cômico para um assunto tabu em uma sociedade que vangloria a vida. Deixo aqui provocações sobre esse fragmento: Como usar o cenário para que ele não seja ilustrativo? A proposta deseja verticalizar a conversa com a morte e suas provocações políticas sociais. O tom cômico pode ser trabalhado na luz? Como o texto pode ser ação e reação?
A Birra do Morto - Foto: Guto Muniz
Florido
Uma trupe de artistas mambembe, parece chegar no espaço cênico, que poderia ser o edifício teatral, como também uma praça, ou rua.... Trajados de um figurino singelo e muito bem arrematado. As pessoas atuantes constroem uma pequena cidade no interior de Minas. Ali apresentarão relações de um interior esquecido por um público da capital mineira, resgatando a infância e o lúdico da brincadeira entre crianças, e um boi, florido e serelepe. O ponto central parece a relação entre a amizade do Florido e de seu amigo, que está apaixonado... Por uma menina “mimada”...
É engraçado como escrever sobre uma cena é sempre um desafio, naquele curto espaço de tempo, temos que imaginar o que vem antes do que foi apresentado e como se desdobrará depois do fim do fragmento. “Florido tem essa capacidade, cria em quem assiste um desejo de depois, uma curiosidade de o que está por vir nas aventuras desse boi Florido.
Gostaria de ressaltar o trabalho de corpo das pessoas atuantes que estavam muito presentes na cena. E que em alguns momentos muito breves engoliu-se a voz dos atores principais. Mas que não diminui em nada a potência do trabalho.