A Rua é o Palco!

por Jô Braga

do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo Cultural

 

Para fechar o 18° Festival Cenas Curtas, a expectativa para o retorno das montagens de Rua era grande. Fora do evento desde 2008, essa seção do Festival apresentou outros olhares para temas que foram retratados em diversas outras cenas apresentadas ao longo da semana. As críticas à política e aos preconceitos sociais e o repúdio ao machismo dominaram. A Rua Genoveva de Souza foi tomada pelo público que circulou pela Feirinha da Benfeitoria enquanto aguardava o início das cenas.

 

Após a fala de Chico Pelúcio, diretor geral do Galpão Cine Horto, o ruído que dobrou a esquina não enganou, era o carnaval que chegava. “Tragédia Carnavalizada” botou na rua o bloco de Carnaval Filhas de Medéia. A peça propõe uma discussão entre homens e mulheres inspirada nas figuras de Medeia e Jasão.

 

Tomando a mitologia grega como ponto de partida, o grupo de Contagem-MG apresentou de forma descontraída atitudes cotidianas de machismo e convocou as mulheres a se manifestarem e assumirem o controle. O figurino, os batuques e as maquiagens brilhosas, como todo bloco carnavalesco pede, não desviaram a atenção da plateia e a pauta da cena continuou a ser debatida nas rodas de amigos mesmo depois do fim da apresentação.

 

“A Coisa” foi a segunda cena da tarde. As lutas de um grupo de moradores de rua para a sobrevivência foram mostradas com bastante potência e entrega dos atores. O uso de objetos em cena e a apropriação do espaço da rua foram destaques, principalmente no ápice da montagem, quando um carro acelerado desceu o quarteirão, deixando a plateia sem fôlego antes de perceber que se tratava de mais um elemento narrativo.

 

Os atores recriaram com relances de ironia o descaso em relação às populações marginalizadas e a cena fez lembrar que a arte é necessária para gerar incômodo e discussões sobre a sociedade de seu tempo. Enquanto a terceira participante era montada, foi bonito ver a comemoração discreta dos atores de “A Coisa”. Um demorado “abraço-coletivo” distante dos olhos da plateia foi a demonstração de cumplicidade.

 

Para fechar a programação, “Cidade dos Assombros”. Num tom de comédia, os quatro atores em cena trouxeram um texto que critica as burocracias da gestão pública e faz parte dos estudos de desenvolvimento do novo espetáculo da Companhia Estação Criativa. A apreciação da cena foi um pouco prejudicada pelo som mecânico que vinha da esquina, mas, apesar disso, o grupo conduziu com agilidade e bastante movimentação o roteiro.

 

REPERCUSSÕES

 

As apresentações de rua exigem um preparo diferente dos atores. No Festival Cenas Curtas de 2017 foi possível perceber a importância do espaço para a execução das cenas e do evento em si enquanto promotor dessa experiência para grupos muitas vezes iniciantes.

 

A arquiteta Thamires, de 23 anos, foi pela primeira vez ao Festival Cenas Curtas e pretende incluir o evento no seu calendário. “Foi muito legal ver as apresentações na rua, me senti mais próxima dos atores e achei bem descontraído”, disse a arquiteta enquanto comprava algumas bijuterias num dos expositores da Feira.

 

A noite ainda prometia com algumas cenas no teatro e a esperada festa de encerramento Batekoo. Em tempos de discussão sobre ocupação dos espaços urbanos, o retorno aos trabalhos de rua do Festival Cenas Curtas pode ser comemorado com uma salva de palmas!

 

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