A Cidade dos Assombros

por Ester Louback

do Núcleo de Pesquisa em Jornalismo Cultural

 

Quando o teatro torna-se a rua e a rua o teatro, perde-se a noção do que é real e o que é fantasia. É nesta ambiguidade que permeia “A coisa”, apresentada no domingo, 17, no 18º Festival Cenas Curtas.

O esquete pode ser interpretado em diversos vieses sociais, mas o que chama atenção é a capacidade de envolver o espectador com uma cena tão cotidiana e invisível, a vida na rua. Foram poucas falas, pouco tempo de espetáculo, mas extremamente dinâmico e cativante.

“A coisa” aborda a rua como local de moradia, disputa, trabalho, sobrevivência e diferença. A peça foi apresentada a céu aberto, na rua, e, além do palco ser o próprio cenário, trouxe elementos sonoros produzidos ao vivo em canos de PVC, latões e pedaços de madeira. Tudo velho, enferrujado, quebrado.  É com esta ambientação que o público se perde na real ficção do espetáculo e se depara com a disputa dos moradores de rua pelo alimento, a luta diária da prostituta e o preconceito de quem não está na mesma situação, ou seja, os donos das casas que pensam serem os donos da rua.

Mesmo com tamanha densidade, a peça é leve. Ela traz uma realidade que muitas vezes não é vista e, me arrisco a dizer, preferimos fantasiar tal fato e anular a sua existência. É um espetáculo para refletir, mas, ao mesmo tempo, provoca risos, suspiros e aplausos, muitos aplausos.

 

“Cidade dos Assombros” | 18º Festival Cenas Curtas
Foto: Guto Muniz

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