Cine Horto volta a ser cinema

Galpão Cine Horto apresenta programação semanal gratuita com curadoria de cinéfilos e pesquisadores da cidade

Um dos últimos cinemas de rua de Belo Horizonte voltará a atividade na próxima segunda, 22 de abril. O Galpão Cine Horto retoma a programação cinematográfica com o projeto “Segunda tem Cinema”, que exibirá um filme toda segunda-feira, gratuitamente, até o final de novembro.

A curadoria dos filmes ficará sob a responsabilidade de quatro grupos: o cineclube CineLixo, o coletivo Artesãos Tagarelas, as professoras e pesquisadoras Viviane Dias Loyola e Dunya Azevedo, e Lea Monteiro e Luís Oliveira, que responderam aos chamados públicos de ocupação do cinema. Cada segunda do mês terá um recorte diferente, seguindo a proposta de cada uma das equipes.

Como parte da programação, todas as exibições terão a presença de debatedores, entre professores, pesquisadores e cinéfilos, que vão levantar questões e promover discussões sobre o filme assistido.

De acordo com Bernardo Gondim, produtor do Galpão Cine Horto e um dos idealizadores do projeto, o “Segunda tem Cinema” pretende oferecer um lugar de reflexão para o cinema nacional e internacional: “Queremos trazer perspectivas diferentes sobre cultura, política, arte e sociedade, através de filmes de vários gêneros e épocas. Somos um espaço resistente e plural, e essa proposta carrega isso desde sua concepção”.

Tradição

A sala de cinema tem capacidade para 70 pessoas e ainda preserva os assentos originais do Cine Horto, o cinema de bairro que funcionou até o final dos anos 1970 na Rua Pitangui. Em 1998, o antigo cinema passou a abrigar Centro Cultural Galpão Cine Horto, do Grupo Galpão, cuja sede fica em uma casa na mesma rua. O espaço foi reformado para dar lugar ao Teatro Wanda Fernandes, Sala Solo, salas de aula e uma biblioteca, e parte da estrutura da sala de cinema foi mantida para operar como auditório. Desde então, a sala tem recebido algumas mostras e pequenas sessões esporádicas. Para 2019, o Galpão Cine Horto aposta em uma programação fixa e extensa.

Mostras

A estreia terá a exibição do filme O Anjo da Noite (1974), de Walter Hugo Khouri, que integra a mostra Lixorumeassombroso&mortífero, apresentada pelo CineLixo, coletivo criado em 2015 com foco em produções brasileiras marginais. Com filmes como O Jovem Tataravô (1936), de Luiz de Barros, o cineclube propõe o resgate de um cinema esquecido e mal localizado historicamente.

Também focada no cinema nacional, a mostra Antropokaos, com curadoria de Lea Monteiro e Luís Oliveira, traz uma seleção de filmes de ficção científica. Entre produções recentes, como Era Uma Vez Brasília (2017), de Adirley Queirós, e mais antigas, como o raro O Quinto Poder (1962), de Alberto Pieralisi, os filmes questionam problemas sociais pulsantes pela ficção científica, um gênero ainda pouco explorado no Brasil.

Propondo uma revisão da história do cinema brasileiro, a mostra Brasilianas, do grupo Artesãos Tagarelas, aborda a relação entre cinema popular, industrialização e identidade cultural. São filmes de formação da indústria nacional, como Rio 40 Graus (1956), de Nelson Pereira dos Santos, e Limite (1931), de Mário Peixoto.

Abrindo para o cinema internacional, a mostra Cinepolítica, com curadoria de Viviane Dias Loyola e Dunya Azevedo, pergunta como o cinema contribui para o pensamento histórico-político do século XXI. A seleção vai desde documentários sobre a prática política, como Fahrenheit 11 de Setembro (2004), de Michael Moore, até ficções prestigiadas como The Square: A Arte da Discórdia (2013), de Jehane Noujaim, ganhador do Festival de Cannes.

No dia 30 de setembro, uma sessão especial vai reunir os quatro grupos para uma seleção conjunta de curtas.

Programação

As sessões vão acontecer todas as segundas-feiras até o final de novembro, com exceção do mês de julho.

22-abr | LIXORUMEASSOMBROSO&MORTÍFERO | O Anjo da Noite, de Walter Hugo Khouri
29-abr | BRASILIANAS | Canção da Primavera, de Igino Bonfioli e Cyprien Segur
6-mai | CINEPOLÍTICA | Um Lugar ao Sol, de Gabriel Mascaro
13-mai | ANTROPOKAOS | Sessão Adirley Queirós
20-mai | LIXORUMEASSOMBROSO&MORTÍFERO | Olhos de Vampa, de Walter Rogério
27-mai | BRASILIANAS | São Paulo, Sinfonia da Metrópole, de Adalberto Kemeny e Rudolf Rex Lustig
3-jun | CINEPOLÍTICA | De Gravata e Unha Vermelha, de Miriam Chnainderman
10-jun | ANTROPOKAOS | O Quinto Poder, de Alberto Pieralisi
17-jun | LIXORUMEASSOMBROSO&MORTÍFERO | O Jovem Tataravô , de Luiz de Barros
24-jun | BRASILIANAS | Ganga Bruta, de Humberto Mauro
5-ago | CINEPOLÍTICA | Fahrenheit 11 de Setembro, de Michael Moore
12-ago | ANTROPOKAOS | Os Cosmonautas, de Victor Lima
19-ago | LIXORUMEASSOMBROSO&MORTÍFERO | O Mundo de Anônimo Jr., de Aron Feldman
26-ago | BRASILIANAS | Limite, de Mário Peixoto
2-set | CINEPOLÍTICA | Religulous, de Larry Charles
9-set | ANTROPOKAOS | Recife Frio, de Kleber Mendonça Filho
Mundo Incrível Remix, de Gabriel Martins
Quintal, de André Novais Oliveira
Plano Controle, de Juliana Antunes
16-set | LIXORUMEASSOMBROSO&MORTÍFERO | Sagrada Família, de Sylvio Lanna
23-set | BRASILIANAS | O Ébrio, de Gilda de Abreu
30-set | CURADORIA CONJUNTA – Exibição de curtas
7-out | CINEPOLÍTICA |The Look of Silence, de Joshua Oppenheimer
14-out |ANTROPOKAOS | Por Incrível Que Pareça, de Uberto Molo
21-out | LIXORUMEASSOMBROSO&MORTÍFERO | A Curtição do Avacalho, de Peter Baiestorf
28-out | BRASILIANAS| Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos
4-nov | CINEPOLÍTICA | The Square, de Jehane Noujaim
11-nov | ANTROPOKAOS | Tremor Lê, de Elena Meirelles e Lívia de Paiva
18-nov | LIXORUMEASSOMBROSO&MORTÍFERO | Longo Caminho da Morte, de Julio Calasso
25-nov | BRASILIANAS | Tristeza do Jeca, de Amácio MazzDe Gravata e Unha Vermelhaaropi



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